A Menina Que Matou os Pais – As Três Partes Da História

A trágica história da família Richthofen parou o país em 2002 e se tornou parte do imaginário popular quando se fala em crimes hediondos acontecidos no Brasil. Muito por conta de suas particularidades, uma família rica em que a filha do casal junto ao namorado e ao irmão dele, mata os pais de forma fria e violenta. Passados quase 20 anos, a história ganha as telas do cinema em um projeto que chamou a atenção pela história, mas também por sua proposta.

Confesso que achei ousada (apesar de não ser exatamente original) a ideia de lançar dois filmes, um com cada ponto de vista da história. Porém, após assisti-los fica a certeza que essa decisão foi uma mera jogada de marketing (que aparentemente está dando certo), já que os dois filmes acabam se repetindo e caberiam perfeitamente em um longa de duas horas. Por conta disso, esse texto vai discorrer sobre os filmes como uma obra única, destacando as diferenças quando necessário.

Suzane: Caso Richthofen será tema de dois filmes com estreias simultâneas |  VEJA

É inegável o potencial da história e a riqueza de possibilidades que a obra carrega, ainda mais se tratando de um gênero que faz sucesso com o grande público. Ao final dos dois longas, fica a certeza do potencial desperdiçado, em filmes que beiram o amadorismo em vários sentidos.

O design de produção quase não existe, ambientes e figurinos sem personalidade, tudo muito carente de criatividade e de verossimilhança com a realidade. Ambientes totalmente incondizentes com a realidades das famílias. Um quarto de um jovem jamais seria tão clean e sem vida. A trilha sonora tão pouco ajuda, mudando de acordo com o filme, na versão de Daniel ela é mais enérgica, buscando a rebeldia, na versão de Suzane mais romântica, escolhas óbvias que explicitam a pouca criatividade da produção.

Mas o maior problema do filme reside em sua condução. Começando pelo roteiro, passando pela direção e a montagem, tudo é terrível.

A Menina que Matou os Pais ou O Menino que Matou Meus Pais: qual assistir  primeiro? Filmes retratam caso Suzane von Richthofen

Com roteiros de Ilana Casoy e Raphael Montes (ela criminóloga e ambos os escritores), é inconcebível imaginar que a mesma dupla que foi responsável pela série Bom dia, Verônica, realizou o texto dos dois filmes. A história é baseada nos depoimentos do casal durante seu julgamento, misturando essa dinâmica que alterna entre o momento presente e os relatos dos personagens, decisão inteligente, já que a ideia é apresentar os dois relatos e deixar para cada espectador criar uma terceira história, tirando seu próprio veredito.

O filme sofre com diálogos sofríveis e péssimos personagens. O desenvolvimento da relação do casal e dos conflitos com os pais de Suzane nunca convencem. Não que o filme busque justificar os crimes, mas poderia ao menos criar situações menos caricatas.

A direção de Mauricio Eça (que também é creditado como autor da ´´ideia original“) é carente do mínimo de criatividade e senso estético. Não existe uma cena minimamente memorável. É tudo muito convencional. Ele não consegue criar tensão ou suspense e por mais que conheçamos o desfecho da história, o filme é dramaticamente vazio.

A cena que eles seguem no carro para a casa para praticar o crime, era para ser cheia de tensão, nem a cena dos assassinatos consegue de fato ser poderosa, o vazio dramático foi tão grande até ali, que mesmo sabendo ser a retratação de um crime real, o espectador permanece indiferente.

Os dois longas ainda contam com uma montagem capenga, construindo filmes sem ritmo (O menino que matou meus pais é ainda pior nesse sentido), sendo experiências bastante cansativas para filmes com duração de 80 minutos.

Carla Diaz sobre A Menina Que Matou os Pais: “tive que me distanciar do  julgamento” - POPline

O elenco como um todo também é muito fraco, mas em meio a tantos problemas, acaba nem prejudicando tanto. Carla Diaz em especial se mostra realmente esforçada, mas tem seu trabalho prejudicado pelo roteiro, principalmente em A menina que matou os pais, ela não convence como a garota manipuladora, funcionando melhor como a menina manipulável do outro filme.

Ambos os filmes constituem um projeto que está fazendo barulho, o que reforça o seu potencial junto ao grande público, mas são filmes indefensáveis. Poderia ter sido realizado como um único filme, intercalando os pontos de vista, criando uma narrativa realmente complexa, que exaltasse as diferentes versões, criando uma tensão crescente, mas ao observar o resultado final, talvez seja melhor que tenham sido lançados assim.

Originalmente planejado para ser lançado simultaneamente nos cinemas, o filme foi um dos adiados pela pandemia e acabou chegando direto no catálogo do Prime Vídeo, situação que certamente beneficiou o longa, já que permite ao espectador exercitar sua curiosidade, algo que provavelmente não aconteceria nos cinemas.

A menina que matou os pais (2021). De Mauricio Eça. Com Carla Diaz, Allan Souza Lima, Augusto Madeira e Gabi Lopes.

O menino que matou meus pais (2021). De Mauricio Eça. Com Carla Diaz, Allan Souza Lima, Augusto Madeira e Gabi Lopes.

Disponível: Prime Vídeo

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