Especial 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

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Encerrada no último dia 03 de novembro, a 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo trouxe alguns dos maiores destaques dos festivais mundo afora para a terra da garoa. Essa edição aconteceu no formato híbrido, com sessões presenciais e vários filmes também com sessões virtuais e o Ratos de Cinema não poderia ficar de fora.

Além de nossa live especial (você encontra em nosso Instragam), o Ratos traz um especial com os filmes que assistimos na Mostra. Prepare sua agenda, pois muito em breve, grande parte desses filmes vão estar chegando nos cinemas do Brasil ou em canais de streaming diversos.

Annette

Annette is an Intensely Personal Musical about Love and Betrayal that You  Will Either Love or Hate | by M S Rayed | UpThrust.co | Medium

Um dos filmes mais aguardados da Mostra foi sem dúvidas o novo filme do diretor francês Leos Carax. Vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes, o longa é um musical obscuro e ácido sobre a fama, ego, intimidade, exposição e julgamentos. Tudo banhado em verde.

Estrelado por Adam Driver e Marion Cottilard, é um musical muito diferente, cheio de peculiaridades comuns na filmografia de Carax. Um file longo, denso, até desagradável em alguns momentos, mas que certamente tem o estilo provocativo de seu diretor.

Lançamento previsto para o dia 26 de novembro no MUBI.

Annette (2021). De Leos Carax. Com Adam Driver, Marion Cotillard e Simon Helberg.

A Voz Humana

Assistir The Human Voice Online Dublado e Legendado
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Outro filme muito aguardado é o novo trabalho do diretor espanhol Pedro Almodóvar. Estrelado por Tilda Swinton e baseado na peça de Jean Cocteau, o curta-metragem é a primeira obra do diretor em língua inglesa e conta a história de uma mulher que foi abandonada por seu amante e aguarda junto ao seu cão que ele volte para buscar suas coisas. Um filme que trata da natureza trágica da solidão e do abandono.

Com um design de produção impecável, trabalhando cores fortes, uma mistura tradicional no cinema do diretor, o filme é um monólogo intenso, que tem sua força na construção das imagens e na atuação poderosa de Swinton. Uma obra intensa, com um final súbito e surpreendente.

The Human Voice (2020). De Pedro Almodóvar. Com Tilda Swinton.

Disponível: NOW, Google Play, Youtube, Vivo Play e Sky Play.

18½

18½ | Cinema St Louis

Uma mistura de suspense com comédia que traz o clima dos filmes conspiratórios para contar o que teria acontecido com os 18 minutos e meio de gravação desaparecidos do caso Watergate. Um caso que já faz parte do imaginário estadunidense e tem nesse trecho perdido um mistério sem desfecho.

Com um casal de protagonistas que funciona por construir uma química interessante, o filme cria um clima interessante com uma recriação de época muito bem realizada, mas se perde em uma cena longa, que ocupa grande parte do segundo ato tentando debater temas da sociedade estadunidense da época. 

Com um terceiro ato cheio de viradas e com uma das cenas de luta mais nonsense que vi em muito tempo, o filme traz elementos interessantes, mas se perde em seu desenvolvimento. Com uma proposta interessante e um excelente começo, o longa termina como uma obra de potencial desperdiçado, não funcionando nem para criar interesse no próprio mistério.

18½ (2021). De Dan Mirvish. Com Willa Fitzgerald, John Magaro, Richard Kind, Vondie Curtis-Hall, Bruce Campbell e Jon Cryer.

Os Donos Da Casa

45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

O documentário da diretora Carla Dauden fala sobre o espírito e o legado da Copa do Mundo do Brasil de 2014. Eu vivi um pouco disso no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas esse é um novo nível de percepção. Grande documentário que nos faz repensar toda essa questão da copa do mundo, da relação direta de nossa população com o evento e do que ficou de fato para o país.

Os donos da casa (2021). De Carla Dauden.

Luz Natural

MOSTRA SP 2021 | Culpa reprimida

Bem realizado e surpreendente, mas quase sempre vazio por escolhas de atuação, que praticamente não demonstra nenhuma emoção. Eu si que os russos gostam deste tipo de formato, mas vai incomodar muito os ocidentais. É um filme de guerra como você nunca viu, com um ritmo extremamente lento.

Természetes fény (2021). De Dénes Nagy. Com Ferenc Szabó, László Bajkó e Tamás Garbacz.

Higiene Social

Berlinale | Archive - Hygiène sociale | Social Hygiene | Sozialhygiene

Um jogo provocativo que traz o diálogo e um aspecto teatral como centro da obra. O filme traz o protagonista Antonin (Maxim Gaudette) como um sujeito que rebate tudo que a vida lhe traz, interagindo com mulheres que representam diferentes partes de sua vida em longas e verborrágicas cenas.

Usando a natureza como cenário e jogando com questões temporais (o longa traz personagens com figurinos de diferentes épocas), o filme traz reflexões e provocações que ora soam interessantes, ora cansativas, com um protagonista que é definido como alguém que domina as palavras.

Ao dialogar com mulheres que representam instituições sociais (família, casamento e governo), o filme se prende em um formato episódico e mesmo tendo curta duração, se mostra uma obra cansativa, que aposta mais no texto que nas ferramentas cinematográficas, indicando que a proposta provavelmente funcionaria melhor como uma peça teatral. 

“Eu gosto da ideia de ter dívidas, faz parecer que eu tenho amigos”.

Vencedor do prêmio de Melhor Direção no Festival de Berlim.

Hygiène sociale (2021). De Denis Côté. Com Maxim Gaudette, Larissa Corriveau e Éléonore Loiselle.

Titane

Watch ~Titane~ (2021) Movie Online Full HD Free 123Movies | ВКонтакте

Vencedora da Palma de Ouro em Cannes, o novo filme da diretora e roteirista Julia Ducournau foi um dos mais aguardados da Mostra. Misturando sexo, violência física e sexual, automotivos, identidade de gênero, óleo e fogo, a diretora e roteirista Julia Ducournau cria uma obra estilosa, intensa e provocante, que surpreende por sua mistura de elementos e temáticas.

São personagens de naturezas conflitantes, que se juntam no desespero e na dor, fugindo do passado por caminhos destrutivos, enquanto se transformam em algo diferente e pessoal. Uma transformação de dentro para fora, desconstruindo a imagem e a ideia que ambos tem dos próprios corpos, através do sexo e da violência contra outros e contra si mesmo, a persona ganha forma física em toda sua visceralidade. 

Com atuações fantásticas da estreante Agathe Rousselle e do experiente Vincent Lindon, são praticamente dois filmes que colidem, criando consequências extremas nas vidas dos dois personagens. Estiloso, violento e visceral, Titane é um dos grandes filmes do ano, um verdadeiro herdeiro do pesadelo Cronemberguiano.

Titane (2021). De Julia Ducournau. Com Agathe Rousselle, Vincent Lindon e Garance Marillier.

A Lei

A Lei" na 45ª Mostra SP - Casa do Cinema Brasileiro

De longe, um dos piores filmes que eu assisti em anos.

Você sabe qual ideia o filme martela na cabeça do público ? ´´Eu sou burro, eu sou estúpido, eu não sei nada“, a mesma bobagem enquanto eles comem.

Isso não é um filme, de forma alguma.

A Lei (2021). De Amadeo Canônico. Com Giovana Dorna, Vina Lopes e Alessandro Marba.

Ahed’s Knee

Ahed's Knee: Lapid e o seu míssil político contra o pior dos governos -  C7nema.net

Autorreflexão, metalinguagem e luto se misturam no caótico grito de liberdade do diretor e roteirista Nadav Lapid.

Vencedor do Prêmio do Juri em Cannes, Lapid trabalha um protagonista que funciona como seu alter ego, um sujeito que se mostra desagradável que tem muito a dizer sobre o Estado Israelense, mas não o faz de forma muito produtiva, nem se dirige as pessoas certas.

No final, o longa funciona como um manifesto raivoso, com uma estética ousada e cansativa pra falar de cinema, criação e liberdade.

Ha’berech (2021). De Nadav Lapid. Com Avshalom Pollak, Nur Fibak e Oded Azulay.

Brighton 4th

Brighton 4th - Filme - 2021 - Vertentes do Cinema

A trama é bastante simples: Pai imigrante vai para a América se reunir com seu filho que tem uma dívida com a máfia local e ele faz tudo para salvar o filho. A relação dos dois, seu desenvolvimento, mais o vício no jogo e como os personagens ficam totalmente cegos por isso, é o que faz o filme valer a pena.

Brighton 4th (2021). De Levan Koguashvili. Com Levan Tedaishvili, Giorgi Tabidze e Kakhi Kavsadze.

Urubus

Mostra de Cinema SP: "Urubus" - Carlos Alberto Mattos - Brasil 247

Usando a invasão de um grupo de pichadores a um espaço dedicado ao “nada“ na Bienal de São Paulo, o filme usa o evento como catalizador para questionar não só a natureza da arte, mas sua representatividade. 

Com um elenco formado por atores estreantes (em sua maioria) e trabalhando uma estética documental, Urubus reproduz de forma crua e direta o universo dos pichadores na capital paulista. Trabalhando uma fotografia muito bonita, que funciona muito bem nas cenas noturnas e cria tensão sem estereotipar aquele universo. 

O longa é narrativamente bem sucedido na construção do grupo do título, desenvolvendo as relações, as individualidades e as rixas com outros grupos, contando um pouco do cenário da capital. Um retrato poderoso que desmistifica os pichadores sem romantizar a natureza perigosa e relevante da arte daqueles que são marginalizados, se arriscando para fazer da cidade e seus pontos mais remotos seu espaço de expressão.

Urubus (2021). De Claudio Borrelli. Com Gustavo Garcez, Bella Camero e Julio Martins.

Pequena Palestina: Diário de um cerco

Mostra SP: “Pequena Palestina – Diário de um Cerco” | carmattos

Pequena Palestina: Diário de um cerco é um registro poderoso e muito triste de um braço doloroso da maior crise humanitária do século XXI e forma com Os últimos homens em Aleppo e Para Sama uma trilogia indireta e temática sobre a Guerra da Síria. 

O filme registra o cerco que o regime de Bashar al-Assad impôs aos refugiados Palestinos, isolando Yarmouk, o maior dos 12 campos de refugiados Palestinos no país. Cortando suprimentos, remédios, luz e água, os refugiados passaram a viver em condições sub-humanas e é nesse contexto que Abdallah Al-Khatib pegou sua câmera e fez do cinema sua arma. 

Registrando desde entrevistas com crianças, que registram seus sonhos (que vão desde reencontrar o pai, até comer um sanduiche de frango), até idosos originários da Palestina, passando por curtos momentos de descontração (sempre interrompidos por tiros ou explosões) e muitos momentos de dor e revolta, o filme faz um registro cru da situação dos refugiados, enquanto seu diretor divaga sobre sensações e pensamentos sobre as formas de lutar, resistir e principalmente sobreviver no estado de sítio. 

Al-Khatib faz do cinema sua única fonte de registro e de denúncia de uma realidade absurda, que tem na sobrevivência do seu povo sua verdadeira vitória. 

Pequena Palestina: Diário de um cerco é um filme necessário.

Little Palestine: Diary of a Siege (2021). De Abdallah Al-Khatib.

*Matéria realizada por Marcelo Cypreste e Felipe Fernandes.

Deixe sua opinião sobre os filmes neste post ou nos mande um e-mail dizendo se concorda ou discorda da gente, deixando sua sugestão ou crítica: contato@ratosdecinema.com.

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