O que você faria e com quem se só te restasse uma Ultima Noite?

O fim do ano vai chegando e filmes de Natal começam a aparecer aos montes. A última noite promete no trailer e no pôster uma comédia natalina ácida. E, certamente, os primeiros momentos do filme parecem querer construir a imagem de um filme do gênero em que um grupo de amigos se reúne para um reencontro na noite de Natal. Desde as primeiras cenas, porém, vão sendo inseridos detalhes que acrescentam o elemento que seria o diferencial, o fim do mundo.

Existem alguns bons filmes que exploram como as pessoas lidam com a chegada iminente do fim do mundo, do qual não se pode escapar, só resta mesmo aguardar e escolher como viver os últimos momentos. A gravidade da situação não é muito explicita a princípio, mas conforme o filme avança as lacunas vão sendo preenchidas e o filme ganha um tom completamente diferente. A premissa do filme, apesar de não ser totalmente nova acrescenta alguns elementos interessantes, mas não o suficiente.

Desde a apresentação dos personagens o filme se mostra bastante problemático, já que com exceção de alguns poucos bons momentos de alguns personagens, com destaque para o casal Keira Knightley e Matthew Goode e são todos detestáveis e não de uma maneira positiva. Além dos personagens serem insuportáveis, são mal construídos e as relações não são nem um pouco convincentes. O filme não consegue nem convencer o expectador de que numa situação extrema aquelas pessoas escolheriam umas às outras para viver aquele momento. Não há uma boa química entre eles que convença da força da amizade que os levaria a largar tudo para estarem ali.

Certamente uma situação fatídica e tensa vai remoer e remexer em questões delicadas que viram os grandes momentos de filmes assim. Tensões e segredos sendo revelados, surtos coletivos e individuais, diálogos poderosos. Infelizmente as tentativas de acrescentar tensão a história e às relações é pífia e altamente superficial, como todo o resto e, mais uma vez, não convence nem é capaz de nos fazer se importar com aquelas pessoas. Pelo contrário, em algum momento o filme te faz desejar que o desfecho se dê logo e que o fim chegue para você poder parar de acompanhar essas pessoas.

Se a última noite não fosse um filme problemático pelas questões de roteiro, personagens e atuações pouco inspiradas, certamente seria pelas escolhas superdelicadas e , se não imperdoáveis, de extremo mal gosto para o momento que vivemos. Então fica aqui o ALERTA DE SPOILER para os próximos parágrafos porque seria impossível não expressar o quanto me pareceu absurdo o caminho escolhido, considerando o momento em que foi lançado.

A diretora Camille Griffin, estreante na direção de um longa, alegou em algumas entrevistas que o filme foi produzido e filmado anteriormente à pandemia. Camille é mãe de Roman Griffin Davis, famoso por seu papel no filme Jojo Rabbit, e que tem alguns excelentes momentos no filme junto com seus irmãos Hardy e Gilby Griffin Davis.

Em um momento em que o mundo se mobiliza para sair de um pandemia que matou milhões de pessoas ao redor do mundo, o filme escolhe o caminho de questionar a ciência e os estudos feitos. Certamente tomar uma vacina não é a mesma coisa que uma pílula para morrer de forma indolor ao invés de sofrer uma morte terrível por intoxicação por gás venenoso. Porém, ainda assim, me parece no mínimo de extremo mal gosto que nesse momento o desfecho seja que o único sobrevivente seja justamente aquele que questionou a ciência e seguiu o caminho do negacionismo. Me parece inadmissível que num momento em que seria crucial que as pessoas apoiem a ciência, sigam as recomendações dos órgãos de saúde, tomem a vacina, um filme recompense e estimule justamente o comportamente oposto.

Se o filme já havia se desenrolado de forma ruim e complicada, o final é, sem dúvida o último prego no caixão de uma obra totalmente equivocada.

Um comentário em “O que você faria e com quem se só te restasse uma Ultima Noite?

  1. Gostaria de discordar e muito da minha cara amiga. Achei um ótimo filme sobre o poder no niilismo no cinema, como o bom e velho John Carpenter fazia nos anos 80. É um filme sobre escolhas de vida, escolhas sociais e últimas escolhas. É um filme sobre saber ouvir todos os lados. De entender que não existe uma solução definitiva. É sobre estar com pessoas que se conhecem há muitos anos e, mesmo assim, parecem mal se conhecer ou mesmo lembrar de momentos especiais uns para os outros. É um filme sobre escolher estar com crianças e adultos chatos e deixar parentes morrer sozinhos em castelos gigantescos. São escolhas.. certas ou erradas que no final, são apagadas pelos ventos da natureza. Ou não?!

    Vejam e tirem suas conclusões.

    Curtido por 1 pessoa

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