#TBT – Taxi Driver

Taxi Driver (1976). De Martin Scorsese. Com Robert De Niro, Cybill Sheperd, Jodie Foster, Albert Brooks e Harvey Keitel.

Disponível: Netflix

Mais que um poderoso estudo de personagem, Taxi Driver também é um retrato de um período de extrema desesperança da sociedade estadunidense. Usando Nova York como recorte, o filme traz uma sociedade decadente, em uma grande crise política e financeira, situação que reflete diretamente na população e principalmente em pessoas como Travis Bickle.

Escrito por Paul Schrader (em seu segundo roteiro), o filme é uma mistura de experiências pessoais do roteirista, que vivia insone pelas ruas de Nova York. A decisão de ter Travis (Robert De Niro) como um taxista se mostra muito acertada, já que dada a natureza da profissão, ele cruza a cidade e acaba tendo contato com diversos tipos de pessoas e presenciando diferentes tipos de situações. 

O filme apresenta uma Nova York que parece saída de um pesadelo. Em sua abertura, o Táxi cruza uma espessa fumaça, com suas cores amarelas desgastadas. O próprio Travis surge em um close de seus olhos, com o personagem banhado em uma luz vermelha. Toda essa introdução dos créditos traz uma cidade fora de foco, borrada por suas luzes, tudo ao som da luxuriosa trilha sonora do lendário Bernard Herrmann (em seu último trabalho). 

O filme acontece sob o ponto de vista de Travis, trabalhando uma narração em tom confessional, que reforça essa intimidade com o protagonista, acompanhamos um homem atormentado, que se sente desrespeitado pela sociedade em que vive. Com uma percepção de superioridade muito perigosa e um senso moral distorcido e muito particular, Travis cruza a cidade em uma crescente jornada psicológica, com o protagonista se distanciando cada vez mais da sociedade.    

Travis é um sujeito solitário, que basicamente trabalha e frequenta cinemas pornôs em seu tempo livre. Completamente deslocado socialmente, ele não consegue construir relações, seja com outros companheiros taxistas ou com Betsy (Cybill Sheperd), uma jovem pela qual ele se encanta pelas ruas da cidade. Veterano de guerra, o filme não se aprofunda nessa característica, apesar dela se mostrar importante posteriormente. 

Scorsese traz uma crítica à questão armamentista. A cena em que Travis compra as armas traz um tom quase de adoração, com as armas sendo exibidas cuidadosamente, exaltadas pelo vendedor, que ganham um aspecto quase fetichista em Travis, que entende as armas como o elemento que vai lhe dar o poder para provar sua superioridade. 

Curioso como o cinema (mesmo que pornô) tenha uma importância dentro da história. O próprio Scorsese já trabalhou a sala de cinema como um local seguro em outras obras e aqui não é diferente. Travis parece se relacionar de alguma forma com aquele tipo de filme e se sente seguro naquele ambiente. Tanto que quando ele leva Betsy para o cinema pornô (uma cena constrangedora), ele não o faz com segundas intenções, mas com a naturalidade de quem a leva para conhecer parte do seu cotidiano.   

Sua tentativa de se relacionar com Betsy parece ser a última tentativa de Travis criar qualquer vínculo social. Após a cena do cinema, ele começa a se tornar cada vez mais introspectivo, com sua raiva crescente, que vai mudando o protagonista. 

A decisão de matar o candidato à presidência tem vários fatores. O mais direto, é uma forma de atingir uma figura masculina importante na vida de Betsy (ela trabalha na campanha eleitoral do candidato), situação que dialoga com outros assassinatos políticos que marcaram a sociedade estadunidense da década anterior e com a crise política e social pela qual passava o país. 

Após uma tentativa falha, o alvo de Travis muda para uma adolescente que entra em seu táxi pedindo ajuda em uma determinada noite. Iris (Jodie Foster), é uma menina que se prostitui e Travis a enxerga como uma donzela em perigo. Ele assume uma postura mais agressiva e não por acaso o cafetão Sport (Harvey Keitel) o chama de cowboy.  

O violento desfecho termina com Travis como um herói. Ele alcança um reconhecimento que nunca conseguiu, que dialoga diretamente com a forma com que os veteranos da guerra do Vietnã se enxergavam, em uma sociedade em que parte dela que os rejeitava por discordar da guerra. Um reconhecimento condizente com a sociedade apresentada pela obra.

Intenso e violento, Taxi Driver é extremamente eficiente em retratar sua realidade, usando um personagem desequilibrado, que mesmo após conquistar a ´´fama“ e se provar um ´´herói“ em uma sociedade de valores completamente distorcidos, encerra com um rápido olhar para o retrovisor, que nos mostra que a persona violenta de Travis ainda reside ali, voltando para a cidade desfocada e decadente no caminho do taxista.  

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