O Telefone Preto

The Black Phone (2021). De Scott Derrickson. Com Ethan Hawke, Mason Thames, Madeleine McGraw e Jeremy Davies.

Disponível: Cinemas

Após se aventurar no Universo Cinematográfico da Marvel, o diretor Scott Derrickson abriu mão de dirigir a continuação do filme solo do Dr.Estranho para retornar ao terror, gênero que o consagrou e pelo qual praticamente toda sua filmografia é marcada.

Baseado no conto de Joe HillO telefone preto conta uma jornada de amadurecimento de dois irmãos adolescentes no final da década de 70. Um período de muitas mudanças, que se agrava quando Finney (Mason Themes), se torna a mais nova vítima de um misterioso homem que vem sequestrando adolescentes pela cidade. No cativeiro, existe um telefone preto com o qual ele misteriosamente consegue se comunicar com as vítimas anteriores do sequestrador, que buscam ajudá-lo a sobreviver ao sequestro. Ao mesmo tempo, Gwen (Madeleine McGraw), passa a ter sonhos reveladores com o sequestro do irmão, sonhos que podem ajudar em seu resgate.   

Curioso como a história resgata e mistura diversos elementos recorrentes da bibliografia de Stephen King (pai do autor do conto). A família desajustada, os adultos negligentes, a adolescência como um período traumático, os jovens com habilidades misteriosas diretamente ligadas ao passado familiar e claro um sequestrador que se passa por artista circense (aqui um mágico) que utiliza balões para sequestrar as crianças. 

Os realizadores trabalham o amadurecimento como tema central. As instituições sociais, como o lar e a escola, são tratados como ambientes extremamente hostis, onde cada um dos irmãos adota diferentes medidas para sobreviver. Nesse ponto, eles parecem ter somente um ao outro, característica ressaltada pela excelente química entre os dois jovens atores. 

O filme também joga com as expectativas, já que Finney é um jovem mais tímido e pouco confiante, que foge do embate. Já Gwen, não titubeia ao entrar em uma briga contra três garotos para ajudar o irmão. Essa cena é muito representativa para estabelecer aquele universo quase como que com regras próprias, já que ao sair ferida, ela se senta ao lado de um dos agressores (também ferido) e ambos simplesmente ficam lado a lado, como em uma espécie de campo neutro. 

Existe uma estranha cumplicidade ali, em uma sociedade onde os jovens são desassistidos em todos os sentidos, é natural que eles tenham apenas a si mesmos como rede de proteção. Situação que também justifica o sequestro de jovens por parte do sequestrador. 

O sequestrador (interpretado por Ethan Hawke) é um homem misterioso, que usa uma máscara que traz um rosto estilizado, com chifres e que surge em um primeiro momento sem expressão e a cada nova aparição surge com uma expressão diferente. Uma característica estética interessante, que acrescenta um ar de incerteza e perigo ao personagem.  Uma pena que ele seja muito pouco utilizado, quase um coadjuvante.

O filme não trabalha com flashbacks e traz várias questões que ficam em aberto. A relação dos irmãos com a mãe, que pelos relatos do pai, tinha as mesmas habilidades e teve sua vida encurtada por isso. No próprio passado do sequestrador, o personagem não recebe nenhum tipo de desenvolvimento, apesar de relatar uma experiência com o telefone do título. Questões que poderiam enriquecer aquele universo, mas ficam de lado, provavelmente visando a construção de uma franquia. 

A relação de Finney com as outras crianças ao telefone fortalece essa ideia de cumplicidade. Fica claro que ele teve algum tipo de experiência direta ou indireta com alguns deles, geralmente associadas a violência. A soma das experiências e tentativas de fuga dos jovens anteriores, formam o cenário que vai permitir a Finney combater o sequestrador, uma mistura estranha de coincidências, que enfraquece o clímax da obra.  

O telefone preto pode decepcionar quem busca um filme de susto fácil. Derrickson cria uma obra que busca o desconforto em sua construção climática em torno dessa história de amadurecimento, onde o sobrenatural atua para impedir o verdadeiro terror, que acontece nas nas ruas da cidade, nas escolas e na sala de casa. 

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