Men – Faces do Medo

Men (2022). De Alex Garland. Com Jessie Buckley, Rory Kinnear e Paapa Essiedu.

Disponível: Cinemas

A dualidade entre o feminino e o masculino como lados opostos de um mesmo universo, usando o luto, a culpa e a natureza machista do mundo como ferramentas de uma dicotomia perturbadora e intensa, em um estudo de personagem que vai além da protagonista Harper (Jesse Buckley) e se relaciona com diferentes histórias vividas por mulheres ao redor do globo. 

São esses os elementos que o experiente roteirista Alex Garland trabalha em seu terceiro longa como diretor, na construção de um atmosfera opressiva, que funciona tanto em sua construção estética, quanto nas estranhezas que o filme apresenta em seus simbolismos e em suas críticas sociais. 

O longa tem uma estrutura que trabalha um evento traumático como ponto principal em que a história se desenvolve a partir dele. Retornando a esse evento em diversos flashbacks, Garland apresenta novas informações a cada nova revisita, uma forma eficiente de trabalhar o suspense e revelar as informações no momento certo, dialogando com as informações apresentadas no tempo presente. 

Após o trauma vivido por Harper, ela resolve passar um tempo em uma grande casa de campo em uma pequena cidade no interior, buscando se reconectar consigo mesma e começar a se curar de tudo que viveu. Conforme coisas estranhas começam a acontecer, o filme começa a apresentar suas peças. 

Garland se prova mais uma vez um diretor seguro de sua narrativa, apesar de trabalhar com simbolismo óbvios. O diretor constrói belas imagens, enquanto trabalha a estranheza e os espaços vazios, além do bem vindo uso do horror corporal em uma ambientação extremamente competente para a crescente tensão da obra. 

Trabalhando a dualidade temática também em sua estética, Garland trabalha um contraste de cores na primeira cena, quando do lado de fora visualizamos a tradicional paisagem cinza londrina, em contraste com a intensa coloração amarela do interior, cor geralmente associada ao fogo e a ideia de destruição. Esse uso intenso das cores vai percorrer toda a obra, principalmente no vermelho do interior da residência e no uso do verde em seu exterior.

Ao longo da trama, Harper começa a ter seu passado, sua sanidade e suas feridas questionadas, sempre por homens, que representam cada uma das instituições sociais, destacando a realidade das mulheres em um mundo machista, aqui representada nesta micro realidade.    

Outra escolha interessante, é pela repetição do ator Rory Kinnear, interpretando todos os homens que residem na cidade interiorana. Uma decisão que trabalha a ideia da natureza destrutiva do homem, desconstruindo a ideia de individualidade e principalmente, reforçando o conceito hereditário dessa natureza. 

Men – Faces do medo é um terror psicológico instigante, com uma estética bonita e uma temática atual, ainda que peque por alguns simbolismos. Um estudo sobre o trauma e a culpa, em um universo hostil que trabalha arquétipos para revelar os medos diários vividos pelas mulheres. 

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